"Eu sinto, penso e até falo como artista, mas não consigo ser um."
Isso deve ser um pensamento que provavelmente já passou por você, ou está passando pela sua cabeça agora, pois já se passou pela minha.
Mas, depois de muito pensar, de muito especular, eu cheguei a uma conclusão com a qual talvez até o final desse texto você possa concordar comigo.
No livro "Desenhando com o lado direito do cérebro" tem um capítulo quase dedicado por inteiro a "ser canhoto". Confesso que levei um tempo para entender onde a autora queria chegar, nesse pequeno trecho que vai da página 71 até a 89 dentro do livro de 343 folhas.
Ela fala sobre os preconceitos em relação a mão esquerda e também sobre uma vantagem quase natural a arte para pessoas canhotas, ela disserta de maneira mais científica e histórica do que irei relatar aqui, mas o que me chama a atenção é o fato da mão esquerda ser controlada justamente pelo lado direito do cérebro, em dado momento do livro pensei em simplesmente começar a desenhar com a mão esquerda para poder alcançar um "despertar artístico" mas no mesmo capítulo ela frustra a minha ideia ao contar que isso desencadearia mais problemas do que evolução, quase no fim ela relata que não viu diferença entre seus alunos que desenham com a mão esquerda ou à direita, então eu me peguei pensando “se não é isso o que me tornaria mais artista então o que seria? ”
O fato da mão esquerda ser controlada, pelo lado direito do cérebro me fez questionar se de fato eu teria nascido para a arte, já que por não ser canhota minha cabeça seria controlado pelo lado da qual apelidei de “o mais chato.” mas também me fez refletir se eu precisava ser predestinada a algo, para poder querer ser alguém além de uma pessoa que acorda e dorme reprimindo emoções e ideias que nunca vou poder expressar a frente de uma tabela de Excel, a indústria sempre alimentou essa ideia de “destino” para poder justificar as ações que levaram os personagens a chegarem até seu final ou para dar razão às suas caminhadas, o que alimentou dentro de nós o sentido de que para sermos os protagonistas das nossas histórias teríamos que ter algo além do nosso querer.
“Uma vez, a Saori disse que todo ser humano deve viver de acordo com as estrelas sob as quais nasceu. Alguns nascem sob estrelas de sorte; outros, sob estrelas de azar. Mas eu só posso dizer que eu farei o possível, sejam quais forem as minhas estrelas.” - Seiya de Pégaso
Mas você pode estar se questionando, então o que vai me levar a ser um artista é o tempo que eu dedico à arte? Não, se tudo se resumir ao tempo, você nunca poderá ser artista, o tempo é vendido e comprado mediante a sua carga horária de trabalho, o tempo é usado para os seus estudos para que você saia do emprego que te sufoca, o tempo é o que você precisa para estar com os seus filhos, amigos e familiares, é o que você deixa para trás, pense mais na arte como um sentimento
Sentimentos são atemporais, eles quase nunca são iguais, mas você está sempre sentindo alguma coisa.
Você não precisa saber um milhão de técnicas de desenho, ter uma experiência de anos, ou ter um papel que te valide como artista, isso te certifica apenas como profissional, e claro, arte não é apenas visual, mas estou dissertando como alguém que está buscando dar vida a histórias que sussurram no meu ouvido durante uma madrugada qualquer.
Ser artista é mais sobre o que você quer expressar e como você quer expressar, seu processo não precisa ser igual ao de alguém, até porque você não tem a mesma vida que aquela pessoa, se encaixar em alguém pode ser extremamente apertado.
